Contratar um analista de marketing não resolve o problema, só organiza o caos.

Empresas seguem abrindo vagas quando, na prática, ainda não definiram o que o marketing precisa fazer.
Imagem: Inteligência Artificial

Existe um padrão silencioso no mercado: o momento em que o empreendedor decide contratar alguém de marketing quase nunca coincide com o momento em que a empresa está pronta para ter marketing. 

A decisão surge do acúmulo. Redes sociais paradas, campanhas inconsistentes, demandas operacionais dispersas. A sensação não é estratégica, é operacional. E a resposta automática costuma ser abrir uma vaga. 

O problema é que essa decisão parte de um diagnóstico incompleto. 

 

A falsa sensação de avanço 

Contratar um assistente ou analista de marketing dá a impressão de evolução. A empresa deixa de “fazer sozinha” e passa a ter alguém responsável. 

Mas, na prática, o que muda? 

A execução ganha um dono, mas a direção continua inexistente. 

Sem clareza sobre o papel do marketing dentro do negócio, o novo contratado passa a operar em modo reativo: produz conteúdo, publica, ajusta campanhas, responde demandas internas. Tudo acontece, mas nada necessariamente constrói. 

O marketing começa a rodar antes de existir. 

 

O erro estrutural: contratar antes de definir o sistema 

Existe um equívoco recorrente: tratar marketing como uma função operacional que pode ser delegada a uma pessoa. 

Marketing, na prática, é um sistema. Envolve decisão, priorização, conexão com o comercial, leitura de cenário e definição de alavancas. 

Quando a empresa contrata antes de estruturar esse sistema, transfere para um profissional, geralmente júnior ou pleno, uma responsabilidade que não é de execução, mas de definição. 

O resultado é previsível: sobrecarga, desalinhamento e baixa performance. 

Não por falta de capacidade. Por ausência de estrutura. 

 

Agência não resolve o problema, só muda o formato 

Diante da frustração com a contratação interna, muitas empresas migram para agências. 

Mas o problema raramente está no “onde”. Está no “como”. 

Sem estrutura mínima, a relação com agência tende a reproduzir o mesmo padrão: demandas soltas, baixa clareza de prioridade, dificuldade de mensuração e pouca conexão com o resultado comercial. 

A execução pode até melhorar. A construção continua ausente. 

 

O que deveria vir antes da contratação 

Antes de pensar em pessoas, internas ou externas, existe uma camada anterior que costuma ser ignorada: a definição do papel do marketing dentro do negócio. 

Isso envolve responder perguntas que raramente aparecem na abertura de uma vaga: 

  • O marketing existe para gerar demanda, fortalecer marca ou estruturar o comercial? 
  • Quais são as alavancas prioritárias neste momento da empresa? 
  • Como marketing e vendas se conectam na prática? 
  • O que deve ser feito agora, e o que claramente não deve? 

Sem essas respostas, qualquer contratação vira tentativa. 

Com essas respostas, qualquer execução ganha direção. 

 

O modelo que o mercado evita, e deveria considerar 

Empresas em crescimento não precisam, necessariamente, de um profissional. Precisam de um modelo. 

Um modelo que permita: 

  • Definir antes de executar 
  • Priorizar antes de produzir 
  • Ajustar antes de escalar 

É nesse contexto que surge o conceito de estruturação de marketing, não como serviço pontual, mas como etapa anterior à operação. 

Um modelo onde a empresa não começa contratando alguém para “fazer marketing”, mas organiza o que o marketing deve ser dentro do negócio. 

Só depois disso a execução faz sentido, seja com equipe interna, parceiros ou ambos.

 

O critério que muda a decisão 

A decisão não deveria ser “contratar ou não contratar”. 

O critério mais relevante é outro: a empresa já sabe o que o marketing precisa fazer? 

Se a resposta for não, a contratação tende a amplificar o problema. 

Se a resposta for sim, a contratação passa a ser uma escolha estratégica, não uma tentativa de organizar o caos.

 

Conclusão 

O mercado naturalizou a ideia de que marketing começa com uma vaga. 

Na prática, marketing começa com definição. 

Empresas que invertem essa lógica acabam operando por tentativa e erro, trocando pessoas, fornecedores e estratégias, sem perceber que o problema nunca esteve na execução. 

Esteve na ausência de estrutura. 

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